• Thomas Eckschmidt

O papel da tecnologia na nova era da rastreabilidade

As ações tomadas para conter os avanços da pandemia de COVID-19 causaram diversos impactos na cadeia global de suprimentos, afetando o fluxo de alimentos e pessoas no mundo inteiro. Este novo cenário causou uma pressão ainda maior sob uma cadeia fragmentada e complexa, que já vinha se adaptando para atender a crescente demanda dos consumidores por mais segurança e transparência.



Apontada por muitos especialistas como a principal ferramenta capaz de garantir uma indústria de alimentos mais eficiente, segura e sustentável, a rastreabilidade virou a bola da vez. Mas esse protagonismo só foi possível graças a uma transformação estrutural muito importante. Em um mundo cada vez mais conectado, foi a adoção de diversas tecnologias que abriu as portas para a consolidação de uma nova era para a rastreabilidade. Essas tecnologias estão potencializando a maneira de (1) coletar, (2) armazenar, (3) processar e (4) transmitir dados como nunca tinha sido possível antes.


Aqui estão algumas tecnologias e como elas estão transformando a indústria de alimentos:


Blockchain:


Popularizado pelo surgimento do Bitcoin, o blockchain é na prática um novo tipo de banco de dados que pode ser aplicado a diversas indústrias – não somente ao mercado financeiro. O que torna o blockchain tão diferente é o fato não ser um banco de dados convencional: é um sistema que funciona como um livro-razão, compartilhado e imutável. Isto facilita muito o processo de registro de transações e o rastreio de ativos dentro de uma rede de participantes.


Em cadeias complexas (como é o caso do agronegócio) é comum a existência de intermediários que tem o papel de validar transações entre empresas. Isto acaba aumentando o custo e tempo para realizar estas transações. O blockchain tem a capacidade de reduzir significativamente isto, uma vez que as informações gravadas na rede são imutáveis e podem ser confiadas por todos os membros.



IoT


Produtores controlam a saúde de plantas ou a presença de pragas através de sensores acoplados em tratores ou drones. Sensores de temperatura monitoram 24x7 a qualidade dos produtos durante o transporte. Ventiladores são acionados automaticamente nas granjas para assegurar o bem-estar animal.


Sensores são os grandes responsáveis pela automatização e controle remoto de uma série de atividades trazendo eficiência operacional para diversos elos da cadeia de suprimentos. A “internet das coisas” se caracteriza pela conexão de objetos com a internet. Neste novo cenário temos objetos físicos, com tecnologia embarcada (capaz de capturar e processar dados) e uma conexão com a rede para transmitir estes dados pela internet. Menos interação humana significa maior quantidade de dados e mais confiança na informação.



Inteligência Artificial


E se máquinas tivessem a capacidade de se comportar como humanos? Justamente isso que está por trás da Inteligência Artificial (IA), onde sistemas de computador são capazes de perceber, apreender e decidir – replicando a inteligência humana. Quanto mais dados vão sendo inseridos e mais interações ocorrendo estes sistemas são capazes de mensurar os resultados e aperfeiçoar seu algoritmo com o passar do tempo.


Apesar de não ser uma tecnologia nova, foi com o aumento na quantidade de dados (IoT) e a capacidade de processá-los (Cloud) que a IA foi ganhando força. Através da inteligência artificial mais dados sobre a cadeia de suprimentos são coletados e analisados em tempo real – o que possibilita a detecção mais rápida de possíveis problemas (como uma contaminação) e a coordenação mais efetiva de ações para mitigar seus impactos.


Existem diversas outras tecnologias (robótica, RFID, realidade virtual, etc.) que também estão contribuindo para tornar esta indústria cada dia mais segura e em conformidade com a preservação do meio ambiente. A pandemia do COVID-19 sem dúvida acelerou a adoção destas inovações, mas o caminho ainda é longo. A capacitação das pessoas e a interoperabilidade entre as tecnologias existentes serão as grandes barreiras a serem vencidas nos próximos anos para que possamos ver estas ferramentas serem usadas em todo seu potencial.


Por Andre Maltz Turkienicz (CEO e Co-Fundador da AgTrace)
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